O Polestar 3 há muito é definido por uma peça específica de engenharia: um conjunto de embreagem traseira com vetorização de torque. Este componente permitiu que o pesado SUV elétrico distribuísse a potência entre as rodas traseiras, proporcionando um nível de agilidade e “ludicidade” raramente visto em veículos deste porte. No entanto, a atualização de 2026 muda o DNA do carro, trocando um recurso mecânico especializado por arquitetura elétrica e eficiência aprimoradas.
As principais mudanças: velocidade versus capacidade
A mudança técnica mais significativa para o modelo 2026 é a transição de uma arquitetura elétrica de 400V para 800V. Esta é uma atualização crítica para o mercado moderno de veículos elétricos, pois afeta diretamente a rapidez com que um motorista pode reabastecer a energia.
- Velocidade de carregamento: As taxas máximas de carregamento saltaram de 250kW para 350kW, reduzindo significativamente o tempo gasto em estações de carregamento rápido.
- Dimensionamento da bateria: Curiosamente, a capacidade da bateria diminuiu em alguns modelos. Enquanto as versões Dual Motor e Performance tiveram uma pequena queda (de 107 kWh para 103 kWh), a variante com motor traseiro teve uma redução muito maior, caindo de 107 kWh para 90 kWh.
Esta mudança sugere um reposicionamento estratégico. Ao reduzir o tamanho da bateria no modelo com motor traseiro, a Polestar provavelmente pretende criar um nível de entrada mais distinto e acessível para a linha.
A perda do divisor de torque
O aspecto mais controverso desta atualização é a remoção do divisor de torque traseiro. Para entender por que isso aconteceu, é preciso observar como funcionam os motores:
- O jeito antigo: O Polestar 3 original usava motores síncronos de ímã permanente (PMSM) em ambos os eixos. Como esses motores consomem energia mesmo em marcha lenta, foi necessária uma embreagem de desconexão para “desligar” o motor durante o cruzeiro constante. Os engenheiros utilizaram esta embreagem também para realizar a vetorização de torque, adicionando uma camada de dinâmica de desempenho.
- O Novo Jeito: O modelo atualizado apresenta um motor traseiro mais eficiente e substitui o motor dianteiro por uma unidade assíncrona. Os motores assíncronos são muito mais eficientes em marcha lenta, o que significa que não requerem uma embreagem de desconexão para economizar energia.
Sem a necessidade de uma embreagem para controlar a marcha lenta do motor, o divisor de torque tornou-se uma “extravagância”. A Polestar optou por removê-lo em favor de um trem de força mais simplificado e eficiente.
Dinâmica de condução: o software pode substituir o hardware?
Para compensar a perda da vetorização mecânica do torque, os engenheiros da Polestar concentraram-se em ajustar o comportamento do veículo através de outros meios:
– Suspensão dianteira mais macia para melhorar a agilidade nas curvas.
– Direção assistida elétrica recalibrada para melhor feedback.
Apesar de perder o seu truque mecânico característico, o Polestar 3 continua a ser uma referência para o envolvimento do condutor no segmento de EV pesados. Mesmo pesando aproximadamente 2,5 toneladas, o veículo mantém aderência, precisão de direção e capacidade de resposta excepcionais. Embora o acabamento “Performance” continue sendo o auge da linha, a experiência geral de direção permanece notavelmente nítida em todas as três especificações.
Conclusão: O 2026 Polestar 3 troca uma personalidade mecânica única por uma linha de produtos mais eficiente, de carregamento mais rápido e com níveis lógicos.
Conclusão: Embora os entusiastas possam sentir falta do hardware especializado de vetorização de torque, a mudança para um sistema de 800 V e motores mais eficientes torna o Polestar 3 um concorrente mais prático e tecnologicamente avançado no mercado de EV premium.


















