O chefe de marketing global da Ferrari está admitindo que errou o alvo sobre como as pessoas ficariam loucas. A revelação do Luce, o primeiro veículo elétrico da marca, gerou uma tempestade. Aconteceu no final de maio. A reação foi tão intensa que atraiu comentários do próprio ex-presidente Luca di Montezemolo. Ele basicamente disse que a Ferrari deveria retirar o icônico logotipo do Cavalo Empinado do carro. É uma postura ousada. É também um sinal da profunda ligação emocional que as pessoas têm com a marca.
Compreendendo a reação da Ferrari elétrica
A crítica não foi apenas barulho. Era estrutural, estético e histórico. O Luce tem cinco lugares. É enorme para uma marca construída com dois assentos e escapamentos barulhentos. Os críticos chamaram isso de traição. Veloce chegou a rotulá-lo como o carro mais criticado da história. Esse é um título pesado de usar. Isso sugere um mal-entendido fundamental sobre o rumo que a Ferrari está tomando.
Mas Enrico Galliera, diretor de marketing que enfrentou o impacto do calor, anunciou sua saída no mês passado. Esse momento levanta sobrancelhas. A polêmica foi um fator? Ele está lá há 16 anos. Isso é uma eternidade no marketing automotivo. Ele não vai ficar para explicar isso, no entanto. Emanuele Carando, o atual diretor de marketing global, está intervindo. E ele tem uma visão diferente. Ele não está na defensiva. Ele está divertido.
Como funciona o design da Ferrari Luce
Carando falou com Edmunds. Ele não se escondeu atrás do discurso corporativo. Ele disse que a Ferrari esperava resistência. O design polarizador sempre faz isso. Mas ele não esperava esse nível de intensidade. Ele está usando uma comparação que faz sentido para quem acompanha supercarros: o Purosangue. Esse carro foi lançado há quatro anos. As pessoas diziam que era heresia. Uma Ferrari de quatro portas? Enzo rolaria no túmulo. Agora? É um dos modelos mais queridos que vendem. O padrão se repete. O público odeia o que não entende até ver a realidade na estrada.
Isto é publicidade gratuita, argumenta Carando. Pense nisso. Milhões de olhos estão voltados para este carro porque o acham feio. Eles acham que está errado. Eles estão falando sobre a nova era da Ferrari, gostem ou não do carro. Num mercado onde a atenção está na moeda, esta é uma mina de ouro. A questão é se o amor acabará superando o ódio. Os dados do Purosangue sugerem que sim.
Comparando Ferrari com rivais embaralhando planos de EV
Enquanto a Ferrari dobra a aposta, os concorrentes recuam. Lamborghini arquivou seu primeiro EV. Estava previsto para 2019. Depois, 2024. Agora acabou. A Aston Martin ainda não lançou um. Eles são cautelosos. A Maserati descartou totalmente o MC20 elétrico. Eles citaram demanda insuficiente. Essa é a palavra-chave: demanda. Os compradores de carros superesportivos não fazem fila para comprar baterias. Eles estão fazendo fila pela alma.
A Ferrari aposta em um ângulo diferente. Eles não estão apenas fazendo um EV. Eles estão usando tecnologia elétrica para resolver um problema espacial. Carando explicou que eles não pegaram apenas um V12, arrancaram-no e colocaram uma bateria. Isso seria uma engenharia preguiçosa. Em vez disso, conceberam um carro onde a arquitetura elétrica permite um interior espaçoso e um capô dianteiro curto.
Isso é importante. Capuz curto. Motorista próximo ao eixo dianteiro. Trata-se de lidar com precisão. É sobre a maneira como o carro entra em uma curva. Os benefícios da embalagem de um chassi de skate não se limitam ao alcance. Eles são para dinâmica. Se a Ferrari conseguir traduzir essa “sensação EV” na sensação nítida e analógica de um supercarro com motor central, os céticos poderão começar a ouvir.
A Ferrari Luce será vendida?
O Luce deve chegar à Austrália no próximo ano. Em breve chegará ao resto do mundo. A Ferrari também negou rumores de que está forçando os clientes a comprar este EV para ter acesso aos seus outros modelos ou para manter o status VIP. Essa é uma acusação séria. Afeta o modelo de escassez da marca. Se os clientes se sentirem coagidos, o valor da marca diminui. A Ferrari precisa de exclusividade, não de ressentimento.
Carando acredita que a novidade assusta as pessoas. A mudança é desconfortável. Mas a Ferrari é uma “marca amada que pertence a todos”. Todos se sentem no direito de ter uma opinião sobre se o seu ícone deveria ser elétrico. É democracia. E é confuso. Mas a empresa parece pronta para isso. Eles vêem o ruído como o som da evolução.
O Purosangue provou que a Ferrari pode quebrar regras e ainda assim esgotar. O Luce é o próximo teste. É maior. É mais silencioso. É mais controverso. A questão não é se as pessoas odeiam isso agora. A questão é se eles conseguirão apoiar isso quando se sentarem lá dentro. Por enquanto, a equipe de marketing está apenas observando a seção de comentários e aguardando a segunda onda de opinião.


















